Lula chama de arbitrária e sem fundamento proibição de ministros do STF entrarem nos EUA

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(FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "arbitrária e sem fundamento" a proibição da entrada de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) nos Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo governo Donald Trump na noite de sexta-feira (18).

"Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos", disse o presidente da República em seu perfil no X, antigo Twitter.

"Estou certo de que nenhum tipo de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, vai comprometer a mais importante missão dos poderes e instituições nacionais, que é atuar permanentemente na defesa e preservação do Estado Democrático de Direito", afirmou Lula.

"A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações", afirmou o petista.

A sanção a Alexandre de Moraes e a outros sete ministros do STF veio depois da operação da Polícia Federal autorizada pelo tribunal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O político foi alvo de busca e apreensão e também passou a viver sob restrições de liberdade.

Bolsonaro agora usa uma tornozeleira eletrônica para monitorar seus movimentos. Ele está proibido de sair de casa entre 19h e 7h, de se aproximar de embaixadas ou de ter contato com diplomatas estrangeiros.

As medidas seriam uma forma de impedir que o político fuja do Brasil. A operação de busca e apreensão também encontrou US$ 14 mil na casa do ex-presidente. Bolsonaro disse que sempre teve dólares em casa.

O ex-presidente afirma que as ações judiciais às quais responde têm motivações políticas. A intenção, segundo ele, seria tirá-lo da eleição presidencial de 2026. "O Lula, sem mim [na disputa], ganha a eleição de qualquer um", disse Bolsonaro em entrevista à agência de notícias Reuters na sexta-feira.

A ação contra Bolsonaro foi parte do inquérito que investiga a atuação de seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos. Eduardo busca jogar a opinião pública e o governo americano contra as autoridades brasileiras que investigam seu pai.

Jair Bolsonaro é alvo de uma ação penal no STF sob a acusação de ter liderado uma trama golpista que culminou nos ataques às sedes dos Poderes em 8 de janeiro de 2023.

As ações penais que podem resultar em punições ao ex-presidente e seus aliados estão sob relatoria de Alexandre de Moraes. O ministro se tornou um dos principais alvos de ataques políticos do bolsonarismo.

No início deste mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a emitir mensagens de apoio ao ex-presidente brasileiro.

A mais contundente veio quando Trump anunciou tarifas de 50% a produtos brasileiros vendidos para o mercado americano. O presidente dos EUA ligou a medida ao julgamento de Bolsonaro, classificando o processo como uma caça às bruxas.

O movimento de Trump relacionado às tarifas fez o governo Lula adotar um tom de defesa da soberania nacional que deixou o bolsonarismo acuado nas últimas semanas.

O discurso, associado à defesa de um sistema de impostos mais progressivo, é apontado como um dos fatores responsáveis pelos indícios de reação que a popularidade do presidente brasileiro deu nas últimas pesquisas de opinião.

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Notícias ao Minuto | 08:24 - 19/07/2025

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